Segunda-feira, Dezembro 13, 2004

Escola da Ponte é exemplo no Brasil

Uma forma invulgar de lidar com a aprendizagem que faz escola, o projecto-piloto da Escola da Ponte, Vila das Aves, está a servir de modelo para novas experiências educativas em algumas favelas brasileiras, disse ontem o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida. "Não havendo experiências educativas que se podem repetir tout-court, este projecto da Escola da Ponte servirá como estratégia possível para alcançar o sucesso educativo nas zonas favelizadas do Brasil", comentou o dirigente associativo. Falando precisamente na Escola da Ponte, onde participou num colóquio sobre envolvimento dos pais na definição de práticas educativas, Albino Almeida esclareceu que a "exportação" do modelo foi feita com o apoio do Banco Mundial e da Unesco. As metas a alcançar na Escola da Ponte são definidas periodicamente e os alunos podem seguir as vias que entenderem para as atingirem, tendo até liberdade para "requisitar" qualquer professor com quem se cruzam para tirar dúvidas que o colega docente não soube desfazer. Os alunos são ainda incentivados a recorrer à pesquisa e a participar em jogos que versam as matérias lecionadas. Nos horários dos alunos, há tempo para uma assembleia geral, com ordem de trabalhos e elaboração da respectiva acta, para decidir rumos a tomar no futuro imediato. A mesa da Assembleia é eleita pelos próprios alunos e nela se decide tudo o que é importante para a escola, como corrigir erros de percurso entretanto detectados. Casos mais complicados são remetidos para grupos de trabalho, que posteriormente apresentam os seus relatórios a plenário, ou para uma comissão de ajuda. Aos mal comportados, os colegas mandam-nos passar o tempo de recreio a pensar no que fizeram.

Artur Machado in JN 13-12-2004